Conceitos de Design: função das letras, cores e formas

10 ago
Qual é a real função do design?Qual é a real função do design?

Design está na moda. Usam essa palavra para se referir a uma porção de coisas, e que nem sempre tem de fato relação com Design. Essa palavra chama a atenção em capas de revista, temas de palestras, cursos e campanhas publicitárias. As várias interpretações e o pouco esclarecimento sobre a real função do Design geram uma grande confusão e pouca eficácia no processo de criação, principalmente para quem está começando na área.

“Tio, o que é Design?”

Design refere-se ao projeto visual e funcional de um produto, a adaptação de um produto a necessidade dos seus usuários, cativando o seu uso através da estética, aplicando-se conceitos e usabilidade a sua forma. Porém não é difícil encontrar profissionais, empresas, cursos, matérias de revistas e conversas de botequim, associando o Design à produção de imagens, ou resumindo-o a manipulação de um software específico.

Vale sempre lembrar que um software é apenas uma ferramenta, e por si só não garante a qualidade do projeto. Nenhum software deve ser encarado como uma solução pronta. Existem diversos softwares diferentes e com funções similares, e a escolha sobre qual utilizar deve ser de cada profissional. A definição do que é Design vai muito além do Photoshop!

Design é uma área projetual. Sua função é responsável por gerar desempenho, qualidade, durabilidade e aparência a um produto. Cada trabalho a ser realizado exige planejamento, pesquisa, criatividade e técnica. Ao contrário do que muitos pensam, a função do Design não está vinculada pura e simplesmente a produção de imagens.

O Design para Web

“O webdesign é um fragmento do design. Não existe webdesigner. Existe o designer que faz web, e este profissional tem que aprender tudo, tipografia, fotografia, semiótica, gestalt, matemática, ótica, percepção, comportamento humano, etc. Senão, ele não consegue fazer web (Alexandre Wollner).”

Costumo dizer que o design para web chega a ser mais multidisciplinar que em outras vertentes. Hoje o profissional de webdesign, para elaborar um projeto coerente, precisa trabalhar em conjunto com diversos outros profissionais como arquitetos de informação, webwriters ou programadores (isso quando ele próprio não acaba assumindo uma dessas funções). No desenvolvimento de um website, além do trabalho de criação alguns outros conhecimentos são importantes para que o projeto forneça soluções eficientes e eficazes em usabilidade, desempenho e comunicação, focadas nas necessidades do público-alvo. Não é um trabalho apenas criativo, mas também de planejamento e de pesquisa. Produzir um Web Site inevitavelmente exige “pensar”.

Portanto, além da manipulação de Softwares, existem alguns métodos de planejamento e pesquisa que se deve conhecer, além de conceitos sobre como trabalhar a pregnância da forma.

Briefing: coletando as informações

Todo projeto deve começar com um briefing. Ele é o documento onde são colocadas as informações e dados necessários para a criação de qualquer projeto. Utilizar elementos dentro de qualquer peça gráfica sem um estudo do caso é um equívoco que compromete a comunicação e a funcionalidade. Há que se levar em consideração diversos fatores tais como: o objetivo do projeto, o produto a ser divulgado, o público-alvo (sexo, idade, cultura, classe social, e outras informações relevantes), identidade visual existente, motivações e propósitos, informações sobre o cliente, a prioridade das informações, a imagem a ser transmitida, etc. Para realizar tal estudo, nada melhor do que ter em mãos um briefing bem elaborado. Se não temos em nossa equipe um profissional de atendimento, o ideal para a elaboração desse documento é se reunir com o cliente, tirando suas dúvidas, esclarecendo detalhes e orientando-o sobre conceitos e tecnologias. Quando esse processo de elaboração não é possível de se realizar com o cliente, pode-se enviar a ele um documento com perguntas a serem respondidas, o que nem sempre é satisfatório. É possível encontrar vários modelos e exemplos de briefing na Web, dando uma noção de como esse documento deve ser feito. No entanto o ideal é não seguir um modelo, e sim elaborá-lo sempre de acordo com a necessidade do projeto.

A arquitetura de informação

Trata-se de como organizar a estrutura da interface e a distribuição das informações, categorizar conteúdos (taxonomia), além de priorizar a comunicação de informações mais relevantes. O documento apropriado para especificar a ordem e o posicionamento dos elementos que vão compor a página é o wireframe. Através de uma forma esquemática, ele representa a distribuição e a hierarquia das informações a serem comunicadas. A partir dos posicionamentos do wireframe é que se constrói o Layout.

Layout: transformando a informação em comunicação

Uma vez que uma das funções do design é transformar informação em comunicação, nenhum elemento dentro do layout deve estar lá sem comunicar algo. Elementos desnecessários podem confundir, poluir e dificultar o acesso e o entendimento das informações. Para um bom trabalho, é necessário fazer um estudo de conceitos visuais e de comunicação. Deve-se ter consciência do porque usar determinadas cores, fontes e formas, e quais sensações esses elementos estão transmitindo ao usuário.

As cores

A percepção que temos das cores proporciona diferentes emoções e estados de ânimos em nós, e por isso elas têm poder de comunicação bem maior do que se imagina. É importante saber trabalhar com o equilíbrio e com a psicodinâmica das cores, para que elas transmitam as sensações desejadas. Cada cor transmite uma informação, sensação ou emoção diferente, isso dependendo da cultura do público-alvo, do contexto, ou mesmo das outras cores com a qual ela é combinada.

Uma boa introdução neste assunto é encontrada no site Color in Motion, que por meio de uma animação, dá exemplos de sensações e emoções que cada cor pode representar. Uma fonte de informação mais consistente sobre o assunto pode ser o livro Psicodinâmica das Cores em Comunicação.

Para elaborar uma paleta de cores com equilíbrio, é importante saber como trabalhar as combinações cromáticas, por mais que se saiba que cores transmitem as sensações desejadas. Uma ótima ferramenta que pode nos auxiliar na elaboração de uma paleta de cores é encontrada no site http://kuler.adobe.com.

A Tipografia

Toda ideia a ser transmitida é traduzida através de letras. É importante possuir um bom conhecimento de como trabalhar com a tipografia na web, priorizando sempre uma boa legibilidade e respeitando o contexto do projeto. Diferentemente da limitação de outras épocas, hoje temos alguns recursos na tipografia para web que nos permitem maiores possibilidades, como é o caso da biblioteca Cufón e do Google Font Directory. Existem diversas famílias tipográficas, cada qual com uma aplicação específica, de acordo com o contexto. Saber escolher bem a tipografia a ser usada em um projeto é um ponto importante na comunicação.

Uma boa fonte de informação para quem está começando e quer se aprofundar no assunto é o livro Manual de tipografia.

As formas

Outro fator relevante na pregnância da forma é a aplicação das leis da Gestalt em nosso projeto. Segundo a Wikipédia, Gestalt é um termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma. Aprendendo a analisar as manifestações visuais e objetos ao redor, compreendemos melhor o porquê algumas formas agradam e outras não, podendo assim trabalharmos esses fatores em nossos projetos. O estudo da Gestalt compreende a “integração das partes em oposição à soma do todo: estrutura, figura e forma”. Leis da Gestalt, como unificação e segregação, fechamento, boa continuidade, proximidade e semelhança, ajudam a orientar o processo de criação e obter resultados satisfatórios.

Uma boa referência de estudo sobre o assunto é o livro “Gestalt do Objeto: Leitura Visual da Forma“, do professor João Gomes Filho.

Seu desenho vai virar código, e agora?

Não podemos criar um bom projeto gráfico para um site se não compreendermos o potencial da web como mídia interativa, e todas as possibilidades e limitações que isso nos trás.

Também é importante sabermos a forma que a informação é estruturada na web. Conhecimentos em HTML e principalmente CSS acabam sendo indispensáveis na hora de criamos um layout que possua uma implementação viável e proporcione um bom desempenho para o site, assim como facilidade de manutenção e boa acessibilidade. Conhecer CSS e saber explorar da melhor forma possível os seus recursos logo na concepção do projeto gráfico pode fazer toda a diferença. CSS é uma linguagem simples, e quanto mais experiencia você possuir com ela, melhor será a criação dos seus layouts.

Como disse certa vez Chris Coyier em seu perfil no Twitter, “CSS é como xadrez: você pode aprender os princípios em um dia, e passar a vida inteira se especializando”.

Então, já sabe o que é design? E webdesign?

Os processos e conceitos necessários para se tornar um designer não se encerram aqui. Outros conhecimentos, como semiótica, antropologia, arte, técnicas de composição, além da busca de boas influências, são essenciais na formação de um profissional. Porém, a partir daqui pode-se ter uma compreensão mais clara do que é Design, além de uma direção para iniciar os estudos e o trabalho.

Fonte: http://www.agni.art.br/

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